Três vezes Aço

Três vezes Aço

Estruturas mistas em aço e concreto conferem velocidade e asseguram qualidade construtiva a um complexo empresarial com três torres no Rio de Janeiro

UM DOS MAIORES empreendimentos do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, o Porto Atlântico Leste é formado por três torres de usos distintos e um conjunto de lojas, distribuídos em um terreno de pouco mais de 16 mil m2. O complexo foi idealizado pela STA Arquitetura com linhas arquitetônicas sóbrias e volumetria elegante para abrigar escritórios-padrão triple A em duas das torres e um hotel na terceira torre.

Os edifícios, que originalmente seriam concebidos totalmente em concreto armado, tiveram sua estrutura alterada para um sistema misto em aço e concreto, a fim de aumentar a previsibilidade do cronograma e racionalizar os custos da obra, que foram realizadas de forma simultânea às intervenções para os Jogos Olímpicos Rio 2016. “Quando analisamos a conjuntura econômica e os prazos de execução, percebemos que realizar um empreendimento desse porte com soluções construtivas artesanais seria arriscado. Tínhamos de cumprir as metas de cronograma e qualidade.

Por isso, optamos por uma solução mista em aço e concreto”, explica o engenheiro Edson Kater, diretor de construções da Odebrecht Realizações.

Assim, apenas os núcleos rígidos onde ficam as caixas dos elevadores e escadas foram executados em concreto para que pudessem receber e ancorar a estrutura em aço. As vigas, por sua vez, foram projetadas em aço, enquanto os pilares e lajes receberam soluções mistas. “Os pilares metálicos preenchidos com concreto e as lajes steel deck foram soluções acertadas”, diz Kater. Segundo o profissional, a escolha agregou qualidade e assertividade geométrica à estrutura, evitando retrabalhos decorrentes de falhas na amarração das fôrmas. Em especial no caso do steel deck, o fato de dispensar escoramento e liberar rapidamente novas frentes de trabalho foi decisivo para garantir rapidez construtiva.

Opção por solução estrutural mista ajudou a cumprir o cronograma de 36 meses e reduziu a demanda por mão de obra in loco

Em conjunto com outros sistemas construtivos industrializados, como a fachada unitizada e os banheiros prontos (usados apenas na torre hoteleira), a solução estrutural adotada ajudou a cumprir o cronograma de 36 meses e a reduzir a demanda total por mão de obra in loco. Segundo Kater, o planejamento original previa 1.600 trabalhadores no pico da obra.

“Com os sistemas construtivos adotados, instalamos tudo em um período inferior a quatro meses e reduzimos o contingente para 800 pessoas na fase de pico”, revela o engenheiro.

Nas obras do Porto Atlântico Leste, assim como em muitas outras da região do Porto Maravilha, foi detectada a presença de materiais de valor arqueológico no terreno, como balas de canhão, fundo de barcos e âncoras, que exigiram atenção especial para sua remoção.

A localização dos edifícios em um aterro próximo ao mar, com lençol freático alto e leito rochoso com alta capacidade de suporte a 17 m de profundidade, também impuseram desafios técnicos importantes.

Para a execução das paredes diafragma, por exemplo, uma hidrofresa, equipamento próprio para escavação em solos resistentes, foi necessária. A solução permitiu embutir as paredes diafragma na rocha, criou uma caixa estanque no solo e dispensou a construção de uma laje de subpressão que, neste caso, teria mais de 1,5 m de altura.

Construção “verde”

O empreendimento conta com uma parada do VLT bem à sua frente, favorecendo o acesso e conforto dos usuários

O aço também colaborou para reduzir impactos ambientais e somar pontos para a obtenção do selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) nas categorias Gold e Silver, pleiteado para duas torres do complexo – a corporativa e a de salas comerciais. “O aço é um material que pode ser continuamente reciclado. Além disso, tende a gerar menos resíduos no canteiro e reduz o tempo de obra, o que contribui para diminuir impactos na vizinhança”, comenta a arquiteta Francine Vaz, gerente da filial Rio de Janeiro do CTE, empresa que prestou consultoria de sustentabilidade para o Porto Atlântico.

Para assegurar maior sustentabilidade aos edifícios, diversas soluções foram combinadas, segundo Francine. A principal delas foi o estudo da envoltória, que considerou análises com vários tipos de vidro e culminou na escolha por um vidro laminado de controle solar, com alto fator de sombreamento. O paisagismo também contribuiu ao usar um sistema de irrigação eficiente e prever o plantio de espécies nativas, que demandam menos água para a própria sobrevivência. (J.N.)

Ficha Técnica

Projeto arquitetônico: STA Arquitetura 
Projeto estrutural: Knijnik Engenharia Integrada (fundações rasas e laje de subsolo), Bedê Engenharia de Estruturas (núcleos de concreto) e Codeme (estruturas metálicas) 
Área construída: 109 mil m² 
Aço empregado: ASTM A572 GR50, ASTM A36, ASTM-A500-C (perfis tubulares) e ASTM-A-570 GR36 (perfis formados a frio) 
Volume de aço: 870 t 
Fornecimento da estrutura de aço: Codeme 
Execução da obra: Odebrecht Realizações Imobiliárias 
Local: Rio de Janeiro, RJ 
Conclusão da obra: setembro de 2016

Fonte: http://www.cbca-acobrasil.org.br/site/noticias-detalhes.php?cod=7343